Vestibulares nesse e no próximo final de semana. Portanto, peço desculpas antecipadas por não publicar nada ou muito pouco no blog durante esse tempo.
sábado, 22 de novembro de 2003
sábado, 8 de novembro de 2003
Matrix Revolutions
Um dos grandes pecados que admiradores do cinema cometem é alimentar falsas expectativas quanto a um filme pelo marketing a que somos expostos diariamente. Já me decepcionei muito em uma sala de cinema por essa vã ansiedade, mas essa é a primeira vez em que o responsável por todas as minhas falsas expectativas é o próprio filme que assisto e não seu apelo comercial.
Ao sair da sala de projeção após assistir pela segunda vez "Matrix Reloaded", tal como havia sido profetizado, mal podia conter a ansiedade pelo terceiro e último filme da trilogia. Zion era mesmo parte da própria Matrix? Neo, era humano ou um software? Quem era Merovíngio? Tanto quanto eu, o filme nutria inúmeras dúvidas a serem explicadas por "Matrix Revolutions". Não foram.
O episódio final da trilogia já começa alimentando mais dúvidas, não fossem suficiente todas as que já tinhamos - o que Merovíngio e Seraph têm em comum? -. Adiante segue um enfoque exagerado nos personagens adjacentes à história que realmente nos interessa. Um punhado de frases de impacto, mais um pouco de cenas de batalha impressionantes, personagens com perda de personalidade, efeitos especiais extremamente bem elaborados. Mexa bem e está pronto. O duro é engolir tudo isso.
O segundo filme também deixou a desejar, mas todas as dúvidas que alentou em nossas mentes alçaram-no a um nível invejável a muitos supostos filmes inteligentes. Mas nesse terceiro há pouco o que se salve, como a fantástica interpretação de Hugo Weaving (Smith) e a tão verossímil quanto de Ian Bliss (Bane); as lutas entre Neo e os vários Smiths que novamente nos trazem aflição pela fragilidade de nosso protagonista.
Mas são fatos como a irritante e incógnita garotinha Sati (Tanveer Atwal), a explicação mais do que negligente sobre a nova forma humana do Oráculo - devido à morte de Gloria Foster antes das gravações do terceiro filme -, a súbita mudança de ideais de Morpheus e as evidentes deixas para novos jogos e - Deus queira! - um novo filme que fazem desse um filme pretensioso demais para o público que coletou desde 1999. Revolutions comete um grande erro ao sub-julgar a inteligência de seu espectador.
Apesar de tudo, foi bom perceber que seus atos falhos não foram suficientes para destruir todo o envolvimento que temos com os personagens principais. Não foi de modo frio que vi Trinity morrer e nem confortavelmente entendi a necessidade de Neo se tornar um mártir, tudo isso, claro, longe de se comparar à frivolidade com a qual os personagens adjacentes são exaustivamente tratados. A cena que mais me tocou em todo o filme, com toda certeza, foi o rosto incrédulo de Trinity ao ultrapassar as manchas escuras no céu e pela primeira - e última - vez ver o céu e o sol no mundo real.
Vale também destacar as impressionantes cenas em que as sentinelas atacam o hangar de Zion de acordo com diversos padrões de vôo, como um bando de pássaros que alteram a direção de seu rumo simultanea e instantaneamente; A inacreditavelmente empolgante trilha sonora; A genialidade dos irmãos Wachowski em questões como o "Limbo", a lixeira da Matrix, onde Neo vai parar; A impressionante - e talvez única inovação tecnológica do filme - luta final entre Neo e Smith voando livremente sob uma forte chuva.
Mas até aí se percebe a fraqueza do filme, afinal, depois de repetir exaustivamente o efeito de bullet time e conseguir um certo grau de inovação em Reloaded com o choque dos dois caminhões, ver ambos socando-se com o mesmo efeito nesse terceiro filme é no mínimo frustrante.
Enfim, "Matrix Revolutions" é uma experiência decepcionante. Sinceramente aguardo que daqui mais quatro anos Larry e Andy Wachowski sejam capazes de apresentar um quarto filme com um roteiro tão bom quanto o de 1999 e sem apelações tão comerciais quanto as desses dois últimos episódios da série. Um filme incompleto. Visualmente maravilhoso. Inteligentemente dissimulado.
domingo, 2 de novembro de 2003
Baudrillard e o fotojornalismo
No caderno Mais! da Folha de S.Paulo desse domingo, Jean Baudrillard dá uma entrevista deveras interessante sobre o papel dos fotojornalistas no mundo globalizado atual.
"Eles [os repórteres] ao mesmo tempo estão dentro do acontecimento e fora dele. Sua participação é efêmera. Eles são, a priori, solidários com as vítimas e com o sofrimento humano, mas seu lugar natural é do outro lado, junto com aqueles que olham e deixam acontecer."
Se você é assinate do UOL ou da Folha de S.Paulo, pode ler a entrevista online clicando aqui.
E ainda quanto ao tão aclamado filósofo, se algum editor lê meu blog, quero que saiba que "Simulacra and Simulation" é um dos livros que quero ler antes de morrer. Português, Brasil e barato, afinal, não está fácil importar livros. Pretensão minha? Nenhuma.
sábado, 1 de novembro de 2003
The Revolutions is coming...
Estou ansioso por demais. Na próxima quarta-feira, dia 5 de Novembro, estréia mundialmente o tão aguardado episódio final da trilogia Matrix, "Matrix Revolutions". Passei boa parte dessa semana pensando nisso e não consigo mais esconder minha ansiedade.
Já reassisti duas vezes o primeiro filme da trilogia identificando vários elementos que compreendi no segundo filme, que, não fosse mais trágico, não consegui alugar devido ao enorme número de pedidos para esse final de semana. Devia tê-lo reservado eu também.
"What is real?" Isso vem me atormentando desde o final de "Matrix Reloaded". As confissões do arquiteto e as elucidações sobre toda a simulação se elevaram a um nível muito alto, o que me inspira um certo medo diante de tanta expectativa. Mas ao meio dia dessa quarta-feira espero que tudo esteja bem resolvido.
Em tempo, a equipe do Omelete já assistiu o filme e conta suas impressões sobre o mesmo.
Meu blog. Eu sempre afirmei que esse era vosso blog, mas ele é meu. E eu cansei dele. Sei que isso parece estranho mas tem uma única explicação: cansei de mim mesmo. Remorso e arrependimento são seguidos pela sensação de incapacidade de escrever mais para meu blog.
Eu que sempre tive prazer em fazê-lo e que sempre o fiz para os que o liam, volto agora ao estágio de pouco mais de um ano - quando começava a escrever aqui - e novamente o vejo como meu. Vejo-me envolvido com meu blog apenas para meu deleite. O grande problema é que eu não me deleito mais comigo mesmo.
O tempo parece trazer o cansaço como consequência inevitável. Percebo isso quando vejo os diversos post-it com bons temas a serem desenvolvidos colados em meu monitor, mas não encontro forças para mostrá-los. Há pouco tempo recomeçava um ano cheio de energia e agora vejam, estou a pouco mais de três semanas de meu primeiro vestibular esse ano. Seguem-se depois semanas e mais semanas de provas e aí sim eu terei bons motivos para esquecer um pouco meu blog.
Mas eu não quero e nem consigo. Esse é o grande problema, não me sinto bem por deixar esse blog em estado tão deplorável. Me empenho, mas não consigo. Eu definitivamente cansei d'eu mesmo.
"Inpute"!
"Quando ouvi aquilo pela primeira vez, achei que era só uma excentricidade. Mas a primeira vez deu lugar à segunda, a segunda à terceira, sempre com falantes diferentes. A quarta ocorrência me encontrou preparado: claro, claro, demos agora para conjugar o verbo “inputar”, estrangeirismo formado de modo regular pela junção do inglês “input” (o ato de enfiar, de pôr para dentro, ou aquilo que se põe para dentro) com o sufixo “ar”. Parente, já se vê, de “deletar”, “printar”, “ressetar” e outras ações realizadas diante de uma tela e um teclado. Paciência. Macaco velho não inputa a mão em cumbuca e sabe que, se o Vale do Silício ficasse em Jacarta, importaríamos nossas palavras do javanês."
Sérgio Rodrigues discute os estrangeirismos exacerbados incorporados à nossa língua nessa era da informática em "Quem inputou que desinpute".
Sim, porque, eu realmente acharia "deleter" muito mais charmoso do que "deletar". Mania descortês de resumir tais verbos a apenas terminações "ar".
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