sexta-feira, 26 de agosto de 2005

2 Filhos de Francisco

Confesso que eu estava bem curiso para assistir o filme. Veja bem, o marketing da Globo Filmes sempre me deixou extremamente curioso e isso não era nada bom: primeiro porque tanta expectativa sempre pode acabar em frustração; segundo porque nos últimos tempos a Globo Filmes não vem agradando, mesmo. Pra piorar um pouco, não gosto da música de Zezé di Camargo e Luciano, o que por si só é um preconceito que está afastando muita gente das salas onde o filme está sendo exibido.

Mas fui lá, confiando na Conspiração Filmes, na direção de Breno Silveira e na atuação do grande elenco e o que assisti foi o que melhor pode representar o cinema brasileiro esse ano. Um trabalho impecável do roteiro à montagem e com interpretações sensacionais. Cenas memoráveis e uma história que consegue encantar a todos sem nunca precisar cair no sensacionalismo e no melodrama.

Ângelo Antônio faz um excelente trabalho no papel de Francisco, pai de Zezé e Luciano, construindo um personagem por quem se tem uma empatia quase imediata, representando os sonhos que todos temos para nós e para aqueles de quem gostamos. Dira Paes também está muito bem como a mãe dos meninos e tem uma cena maravilhosa e indispensável à beleza do filme. Mas talvez o grande destaque fique pelos meninos Dablio Moreira e Marcos Henrique, que interpretam Zezé e Emival na infância. Esses dois conseguem construir uma relação inacreditável no filme, contribuindo em muito para seus personagens enquanto os vemos na infância. Já crescido, Zezé é interpretado por Márcio Kieling e Luciano por Thiago Mendonça, mas pena que ambos não se saiam tão bem quanto os outros dois.


Ainda sobre o elenco, aparecem por ali atores e personagens que marcam todo o filme, como o quase antipático, porém sensacional, Miranda de José Dumont e a encantadora Zilu de Paloma Duarte. Todo o elenco dá sua contribuição, por mais efêmera que seja, para transportar toda a situação do que é vivido na tela para o espectador. Fica aqui claro a habilidade de Breno Silveira ao dirigir tão bem os atores com quem trabalhou.

Mas a boa direção não se resume a isso. Aliado ao excelente roteiro e à extremamente bem acabada montagem, Breno consegue fazer um filme que apesar de contar uns 20 anos de história ainda assim não chega a ser capitulado ou confuso em suas transições. E a Cospirações não deixa por menos nos entregando uma fotografia lindíssima - e muito bem usada para identificar os locais onde vivem seus personagens - e também uma qualidade sonora invejável. Aliás, falando em som, a parceria com Caetano Veloso na criação da trilha sonora foi acertadíssima. Em determinado momento do filme, quando a música É o Amor, de Zezé, é muito importante, Caetano coloca Maria Bethânia em uma interpretação emocionadíssima da letra, nos forçando a prestar atenção no que ela diz.

Mas o que realmente me fez gostar do filme foge aos aspectos técnicos dele. O que me encantou, e talvez encante a todos que o assistam, é o fato de que a história de Francisco e seus filhos é quase universal. Assim como em Diários de Motocicleta viamos ali representada a América Latina, seu ideais e seus problemas em comum, aqui, em 2 Filhos de Francisco, vemos representado um Brasil que por anos passa pelos mesmos problemas sociais. Vemos a história de milhares de famílias que ainda mal podem criar seus filhos, vemos a realidade de milhares de crianças que mesmo tendo sonhos raramente conseguem realizá-los, vemos um país que ainda luta contra problemas antigos e vemos um exemplo no qual nos espelhar, vemos um esperança.

Por isso eu repito, não tenha medo, livre-se de todo e qualquer preconceito que você pode ter em relação a esse filme e à música de Zezé di Camargo e Luciano e vá ao cinema. É sem dúvidas um dos melhores filmes nacionais do ano e seria uma tremenda besteira perdê-lo por pré-conclusões bobas.

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Post-Scriptum: Eu sei que tinha prometido isso pr'ontem, mas várias coisas estão acontecendo essa semana, então tive que fazer vocês esperarem um pouco mais. Não fiquem bravos, kiddos!

Entrevista interessante do filósofo Gilles Lipovetsky para o UOL. Ele esteve no Brasil para divulgar seu livro "O Luxo Eterno - Da Idade do Sagrado ao Tempo das Marcas" e na entrevista fala um pouco sobre isso.

Na minha opinião, o luxo supremo foi esse sul-africano (Mark Shutleworth), que gastou US$ 20 milhões para passar dez dias numa estação espacia (em 2002). Hoje, creio que o grande ícone do luxo é alguém gastar uma soma considerável unicamente por sensações. Não resta nada, não há nem mesmo um produto, ele fez algo unicamente para sentir. É um luxo emocional extremo, mas evidentemente nada democrático (risos). É um luxo de milionário e creio que emblemático porque acredito que o futuro do luxo é esse: termos cada vez mais emoções substituindo produtos.
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quarta-feira, 24 de agosto de 2005

Crescendo...

Hoje chegamos a 3 anos de blog, kiddos! Valeu mesmo.

terça-feira, 23 de agosto de 2005

Atualizando ouça e assista, o que nunca é uma tarefa fácil, entram ali um álbum sensacional que ganha explicação hoje e um filme sobre o qual prometo falar mais amanhã.

De tudo o que ouvi de novo nos últimos dias, nada supera a genialidade e o prazer de Illinois, álbum do incrível Sufjan Stevens. Esse cara é um dos mais autênticos que ouvi nos últimos tempos. Com melodias e arranjos diferentes e novos, Sufjan vem lançando grandes álbuns e músicas nos últimos anos. Illinois faz parte de um projeto seu onde ele pretende lançar um álbum para cada um dos 50 estados americanos. O destaque desse CD fica sem dúvidas para Chicago, das 22 faixas a mais apaixonante e empolgante.

E em assista, veja bem, livre-se de todo e qualquer preconceito para entender que o que sugiro aqui é o que de melhor temos no cinema nacional esse ano, 2 Filhos de Francisco. Um filme inacreditavelmente excelente sobre o qual pretendo falar muito mais amanhã.

segunda-feira, 22 de agosto de 2005

Pegando o ônibus da UNESP pra casa, algumas crianças que moram ali por perto do campus, bem afastado da cidade, também entraram nele. Lá pela metade do caminho:

- Olha o McDonald's - pronuncia perfeita - sabia que eu já fui aí?
- Sério? Quem pagou? - achando aquilo completamente absurdo.
- Minha professora. Lá na escola.
Algum tempo e... - Você queria morar aqui perto?
- Eu queria.

sábado, 13 de agosto de 2005

Last.fm

Ferramentazinha legal, essa. :) Até a última terça-feira era conhecida como Audioscrobbler, mas agora mudou para Last.fm e ganhou funções bem mais interessantes e um design pra lá de bonito.

Meu profileO que o Last.fm faz é armazenar o nome de todas as músicas que você ouve no seu computador (por meio de um plugin pro Winamp, iTunes, ou qualquer outro player) e depois gerar relatórios semanais e mensais sobre seus hábitos no seu profile.

Por meio disso várias coisas legais podem ser feitas. O site lista quem são os usuários que têm o gosto musical parecido com o seu - seus vizinhos -, o que o torna um pouco uma rede de relacionamentos; Sugere novos artistas de acordo com as músicas que você e seus vizinhos escutam; Possibilita criar grupos de acordo com seus interesses, assim como as comunidades do Orkut; e algumas outras coisas.

A grande mudança do Audioscrobbler para Last.fm, no final das contas é também a mais legal. Como o próprio nome sugere o site se transformou em uma grande rádio. O barato aqui é ouvir a música de maneira personalizada. Estão entre as opções uma rádio com as músicas que seus vizinhos estão ouvindo, com artistas relacionados a um que você escolha, de acordo com as tags que são aplicadas a artistas e suas músicas em todo o site e bem mais.

Não é algo fácil de se usar, já que para ouvir a rádio é necessário instalar um player e ser cadastrado no site, perdendo ponto pra rádios como a Rádio UOL, por exemplo, que tem apenas uma interface web. Mas a experiência é sensacional, pois as possibilidades de arranjos diferentes para as músicas que você pode escutar são muito grandes.

O Last.fm é uma ferramenta bem legal e eu uso bastante. Vale a pena dar uma olhadinha nessas novas funções que incluem até a possibilidade de postar coisas por lá. Se quiserem saber mais, façam o tour.

Have fun! :)

quinta-feira, 4 de agosto de 2005

Blasé

Do dicionário Houaiss:

Acepções
  • adjetivo
    1. que exprime completa indiferença pela novidade, pelo que deve comover, chocar etc.
    Ex.: [ar b.] [atitude b.]
  • adjetivo e substantivo masculino
    2. que ou aquele que está embotado pelo excesso de estímulos (sensoriais, afetivos, intelectuais etc.) ou de prazeres, e que se tornou insensível ou indiferente a eles
    3. que ou aquele que tem ou demonstra apatia ou desinteresse em relação a tudo, por sentir ou crer ter esgotado todas as possibilidades de experiências ou sensações
    4. Derivação: por extensão de sentido.
    que ou aquele que se mostra entediado (sinceramente ou por afetação) com relação a coisas pelas quais a maioria das pessoas demonstra interesse

    Etimologia
    fr. blasé (1837) 'indiferente, apático, que não demonstra emoção', part.pas. de blaser (sXVII-XVIII) 'embotar o sentido do gosto, por excesso de comida e bebida, tornar-se indiferente ou insensível'

    Gramática
    fem.: blasée; pl.: blasés/blasées (fr.)
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