terça-feira, 17 de julho de 2007

Bacante

Depois de um fim de semana onde a palavra de ordem foi espetáculo, acabo ao acaso descobrindo um espaço mais do que bacana nessa internet. A Revista Bacante, projeto do Fabrício Muriana e do Maurício Alcântara que está a pouco tempo no ar e francamente já deixou bem claro a que veio.

São matérias, entrevistas, resenhas e até um blog. Os textos são divertidos e mais do que isso, nada é simplesmente deduzido, a galera vai mesmo atrás da idéia. São ares novos nessa tal de teatrosfera, como explica lá o Nelson de Sá.

A matéria que me pescou explora o alternativo. É da Juliene Codognotto e da Leca Perrechil. Com muita informação e opiniões bacanas, elas destrincham os caminhos das pedras, ou com pedras, por onde vão os rótulos da mídia e o teatro brasileiro. Pra quem quer entender um pouco mais do que está acontecendo em cena em São Paulo, é um ótimo começo.

No entanto, o próprio Sérgio Roveri questiona essa áurea alternativa que ronda a região [Praça Roosevelt] e seus grupos. "Nos últimos anos, Os Satyros foram contemplados com vários prêmios de incentivo, excursionaram pelo Brasil e pela Europa, são referência na produção teatral da cidade e transformaram a Praça Roosevelt num pólo de produção cultural, onde as filas começam às 18h e não terminam antes da meia-noite. Então, como dizer que um grupo como eles é alternativo?"
Eu estive lá pelas bandas da Praça Roosevelt no sábado, assistindo um espetáculo no Espaço Parlapatões. Quero dizer: existe toda essa discussão sobre um teatro alternativo e a verdade é que aquele é um lugar que incendeia as idéias. E essa matéria só aumenta essa vontade de agir, de criar alguma coisa, aqui em Bauru mesmo. Por que não?

Existe muita gente por aí cheia de idéias. E existe muito espaço a ser preenchido. A gente volta de São Paulo e percebe como as coisas aqui no interior andam babacas. Gente interessada em cultura e em espetáculo, por aqui conheço um monte. Espetáculos e cultura, por aqui, quase não vejo nenhum.

E o Nelson de Sá voltou hoje a falar sobre a tal teatrosfera. Pediu umas dicas e colou por lá como ganhar pra trabalhar escrevendo e pensando sobre o teatro. Alternativo? O que importa mesmo é essa abundância de idéias e as grandes críticas que andam oferecendo por aí.

3 a falar:

Du disse...

Impossível ler esse post sem uma pontinha de inveja.

Eu moro numa dessas "cidades do interior que andam babacas". na verdade, acho q aqui nunca foi outra coisa. O mais próximo de um "expetáculo teatral" que tivemos recentemente foi um quase plágio de "Terça Insana". :/

Enquanto isso, a gnt se segura na esperança, neh? hehe

gera disse...

humm realmente sampa tem mta opçao pra quem e interessado /// o satyros na roosevelt e um bom exemplo disso

Maurício Alcântara disse...

Cara,

Realmente sampa está passando por um momento fantástico de efervescência, mas nem tudo por aqui são flores...

Em muitos sentidos, as coisas por aqui também acabam ficando babacas, apesar dessa riqueza toda...

Percebe-se que ficam babacas quando absolutamente tudo o que entra em cartaz nos Satyros fica cult, ainda que seja ruim, por exemplo. Ou quando a mídia não consegue dar conta de tudo o que está acontecendo e perde seu papel de provocar - e nesse contexto nasce a experiência da Bacante, de provocar esse povo de teatro com humor.

Mas acho que o que mais falta é um diálogo entre todo mundo. Não adianta a Folha, o Estado, a Bacante ou quem quer que seja sair no fim de semana, assistir X espetáculos, voltar pra casa, escrever no jornal, na revista, no blog ou onde quer que seja, e achar que está fazendo um serviço completo.

Neste fim de semana ficamos sabendo que na rússia existem mesas redondas de teatro - assim como aqui nós temos as de futebol. Por que não pensarmos em um projeto assim? Por quê não arrumarmos uma forma de dialogar essa efervescência paulistana com iniciativas do interior ou de outros estados e regiões?

Se topar, a gente pode começar esse tipo de intercâmbio já! Todo mundo só tem a ganhar...

Grande abraço!

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