É um texto velho, já. Mas me peguei pensando várias vezes nisso desde que li pela primeira vez e vale o comentário. No começo do mês passado, Chris Smith, ex Ministro da Cultura do Reino Unido, esteve no Brasil.
um dos maiores responsáveis em transformar política cultural em prioridade de governo e grandes investidoresA matéria de Raul Lores destrincha alguns dos conceitos da gestão de Cris Smith e alguns deles chamam muita atenção.
Há empresas que preferem apostar apenas em nomes famosos, mas acho que, na hora de divulgar sua responsabilidade social, ela tem de mostrar onde o dinheiro foi investido. Se é uma empresa responsável, tem de se preocupar pelo tecido social do país, em ajudar quem tem dificuldades. Colocar dinheiro só no sucesso garantido não pega bem.Olha que bacana. É um conceito que tem muito a ver com nosso país. Veja bem, com as leis Rouanets e os incentivos privados circulando por aí, onde estão os resultados? Eu quero dizer, não basta trazer o Anish Kapoor ou investir milhões em um musical enlatado da Broadway, tem muita gente fazendo espetáculos incríveis aqui dentro mesmo.
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As empresas querem marketing, associar seu nome com propostas vanguardistas, glamourosas ou de alta qualidade.
É difícil ver algum espetáculo bom andando por aí com incentivo privado. A bem dizer, aqui no interior de São Paulo, por exemplo, a grande maioria de espetáculos sucesso de crítica e muitas vezes de público que aportam, vêm com o incentivo do PAC. Iniciativas de produtoras locais, com patrocínio de grandes empresas locais, tendem a trazer nomes consagrados, comédias rasgadas e o que mais seja garantia de público. E dinheiro.
O difícil é perceber se o problema está na maneira como o público encara a cultura ou como o país a encara. Eu voto no país. Digo, voto nas políticas que temos no Brasil e na distribuição de recursos das empresas privadas. É algo a ser repensado. E os resultados obtidos por Chris Smith mostram uma luz que brilha para todos no fim do túnel.
A vida cultural beneficia as cidades, elas têm os equipamentos e o clima que atraem as pessoas mais criativas. Quanto mais vibrante a vida cultural, mais ela atrai pessoas que querem morar e trabalhar lá, o que provoca um efeito positivo no mundo dos negócios. Os executivos querem vir a Londres a toda hora. E abrir escritórios lá. As famílias deles também querem morar em Londres.Percebe isso? O retorno ao investimento em cultura é tão interessante, que chega a ser maior do que o próprio investimento. No Reino Unido, Chris Smith conseguiu fazer com que todos os museus tivessem entrada gratuita. E quem acompanha o cenário, sabe que grandes nomes expõem suas obra lá, como Carsten Höller e seus tobogãs gigantes no Tate Modern.
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Hoje, quando se pergunta a qualquer turista por que está visitando o Reino Unido, as respostas sempre giram em torno das indústrias criativas. O governo britânico ganha mais dinheiro com os impostos sobre as entradas de teatro do que investe no setor.
Ele ainda é claro ao falar sobre o retorno mais do que financeiro que as cidades têm. Nossos exemplos não são assim tão escassos. São Paulo, Curitiba, entre outras cidades, são conhecidas pela sua vida cultural. O problema está em deixar as coisas concentradas nesses eixos. A cultura tem que atingir todo o país. Não é só uma questão de turismo. Antes de investir e ganhar dinheiro com cultura, é preciso entender que ela deve estar acessível a todos.
Essas são idéias muito bacanas. Se estão longe, perto, são difíceis ou fáceis em nosso país, não sei. Mas o caminho está pronto, basta querer e trabalhar pra isso. Um trabalho conjunto, as famosas parcerias privadas. E afinal de contas, cadê o Gil?
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