quarta-feira, 4 de julho de 2007

Holden Caulfield caught me

Sabe desses livros que você sempre quis ler, mas nunca chegou lá. Já quase comprou, mas não comprou. Já ouviu falar muito e, cada vez que ouviu, ficou cheio de vontade de ler de vez o tal livro e não leu? Pois é, se o texto não fosse tão grande, seria esse o nome da categoria na qual por muito tempo deixei listado O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger.

Presente de aniversário, demorei a conseguir tempo e espaço - na pilha de livros que estão ali ao lado - pra finalmente lê-lo. Foi numa tacada só (breves intervalos, claro, que os compromissos no meu calendário já estão até ganhando fade nas sobreposições). Ficaram duas perguntas: Por que demorei tanto a ler esse livro? E, se demorei tanto, por que me apareceu agora?

O Apanhador no Campo de Centeio conta a história de Holden Caulfield, um adolescente que acaba de ter sido expulso do colégio, o respeitado Pencey, onde foi reprovado em todas as matérias, com a exceção de Inglês (equivalente a nossa Português). São os últimos dias dele no colégio, antes de voltar para casa e encarar os pais.

Nunca li nada tão sincero sobre a adolescência. E o que me encanta ainda mais no livro é que ele não é feito de clichês. Cada pensamento, cada situação enfrentada por Holden Caulfield me trouxe de volta recordações de toda uma época que muitas vezes insisto em esquecer. Holden é a personificação de qualquer angústia individual que por muito tempo tive e que só agora reconheço como uma fase, ou mesmo como um rito de amadurecimento.

Salinger admitiu que sua história era, de certa forma, auto-biográfica e não poderia deixar de ser. Um relato tão verdadeiro só poderia ter sido escrito por alguém com boa memória de toda sua adolescência. E boa crítica. É guiados pela narração de Holden, que somos levados a repensar nosso passado. Possivelmente nos reencontrando encantadores aos olhos, naquela que pode ter sido uma das mais terríveis épocas.

Holden entra para a minha lista de personagens que quero muito viver no palco ou na tela. E O Apanhador no Campo de Centeio entra com certeza na minha lista de melhores livros, dividindo espaço com tantas outras histórias que de maneira sincera conseguiram me atingir.

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