quinta-feira, 30 de agosto de 2007

O Fantasma do Barão

Como está sendo doída essa construção do Barão. Já se foram várias semanas de ensaios e laboratórios. Um processo delicioso, trabalhando com duas crianças de um talento absurdo. Não poderia ser mais divertido.

As improvisações fluíam maravilhosamente. Já era possível entender a lógica do Barão. E aí eu recebo o texto. E todo mundo se reúne pra primeira leitura. E desde então eu já não sei mais quem ele é. As suas falas, suas poucas falas não se encaixam mais.

As gravações começam na próxima semana. Minhas tomadas, estou aqui agradecendo por serem só no final do mês, enquanto me pergunto onde é que ele foi parar. Parece não haver mais lógica nele, a sua postura não funciona, dizer aquelas coisas não faz o menor sentido.

Prenuncio de uma noite às claras, silêncio, uma bebida quente e a cabeça enfiada no texto. O que me preocupa são as crianças. Quero dizer, se não houver lógica nesse Barão, se não for óbvio e verdadeiro seu ódio, então nada funcionará.

Peguei-me lendo Kusnet em busca de alguma resposta. Não achei. Peguei-me procurando um ódio verdadeiro. Não achei. Chega a parecer que sou o cavaleiro de coração puro. Não sou. E dói.

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