Pois então, é isso: Parei de usar relógio.
Já faz uns três dias, mas não é um fenômeno recente. Há um bom tempo, nos fins de semana, ele já permanecia estendido na escrivaninha do quarto, ao lado dos narizes de palhaço e das contas a pagar. O ápice do fim de semana tem sido as tardes de domingo, onde tenho conseguido com notória habilidade ir ao parque treinar os malabares sem o relógio e até sem o celular (que ultimamente ganhou a função de despertador e só).
O resto da semana, sem celular, não dá. Mas aí existe a vantagem de que o reloginho no display é tão pequeno que, mesmo em cima da mesa, ao meu lado, é impossível ler. Na frente do computador já é mais complicado, apesar de discreto, ele está sempre ali no cantinho. No trabalho, nada demais, aliás, algo necessário, mas em casa está ele ali dizendo o que fazer. Olhe lá. Percebe como é sutil?
Computador é um instrumento perigoso desse tempo. Uma das páginas iniciais por aqui é o Google Calendar. É só dar um clique e pula na tela um diagrama todo colorido, organizado por dias e temas, que me diz... não, que me grita a infinidade de coisas a fazer. Aí é um deus nos acuda, porque o absurdo já é tanto que os compromissos estão quase adquirindo fades entre eles.
Mas então eu decidi num surto de rebeldia: Já que tem relógio por todos os lados, não vou mais usar o meu. E isso já faz três dias. Estou orgulhoso. Com o tempo parece que a necessidade de olhar o pulso vai acabando. Na verdade o primeiro dia foi o mais difícil: parada no semáforo, que horas são? Cadê o relógio?; saindo do banheiro, que horas são? Ah, sem relógio!; encontrei alguém na rua, que horas são?
É só que é engraçado como a gente acaba vivendo em função do tempo. Há tempo pra tudo. Tendo hoje a acreditar que sim e não quero mais me preocupar com a pressa das coisas a cada olhada nos ponteiros. Nem quero mais me irritar com aqueles que dizem não ter tempo pra nada. Até porque, há mesmo tempo pra tudo e talvez essa não seja a hora para algumas coisas.
Parei de usar o relógio. Hoje vivo perigosamente a incerteza do tempo e das coisas.
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Tempo pra tudo
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2 a falar:
inveja
se fizer isso minha vida vai pelos ares
e ñ é uma matáfora
Então, Guilherme, pensei muito naquela entrevista da Lygia Fagundes Telles sobre colocar o esparadrapo no maço de cigarro...Essas coisas de fumantes são muito engraçadas mesmo. Valeu pela visita. Super abraço, Sérgio
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