terça-feira, 24 de julho de 2007

Alberto

Guzik num texto franco sobre o agir de um personagem. Pra ler e deixar viver.

Percebo os movimentos repetitivos dos oficiantes da missa, os gestos que o uso mecanizou. Preciso deles para Pedro Gailo. Desses movimentos que a gente faz sem perceber que faz. Os mesmos gestos inconscientes que se usa para digitar um texto no computador, ou para dirigir um carro, ou para vestir a roupa. Gestos praticados e repetidos todos os dias.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Lourenço

Mutarelli é um desses caras metidos em várias coisas ao mesmo tempo. Desde que assisti a Companhia da Mentira com O que você foi quando era criança? tenho me interessado por suas obras. Urbanas, realistas e caóticas.

Cá uma entrevista feita por Beatriz Leal. Bacana.

Pra quem olha de fora, o que parece é que não há a intenção de se fazer algo necessariamente novo, mas que está sendo feito...
Isso acaba trazendo o novo, gerando o novo. Eu acho que o novo não nasce com a intenção de ser novo. Ele nasce com sinceridade e com experimentação e com pessoas que de repente tentam realizar o seu trabalho contra a corrente e não encontram uma forma de produzir isso, de uma forma fácil ou com parceiros grandes. Então elas se juntam e fazem o seu trabalho, que foge porque as grandes produções visam o que dá certo. Elas vão martelar nessa tecla porque dá certo e nunca vão arriscar. E elas devem começar a arriscar agora, por exemplo, quando surge uma coisa diferente, que dá um resultado, e esse resultado é financeiro, é um resultado de bilheteria ou de uma massa, de atrair uma massa de público, aí eles começam a se pautar nesse tipo de coisa pequena que aponta o caminho e aí eles começam a investir um pouco. Então isso acaba refletindo através de experiências corajosas... Porque, para mim, fazer um livro não custa nada. Mas para se fazer um filme custou... Essa parceria é um trabalho muito maior, que por outro lado atinge um número de pessoas multiplicado à potência, né?

terça-feira, 17 de julho de 2007

Bacante

Depois de um fim de semana onde a palavra de ordem foi espetáculo, acabo ao acaso descobrindo um espaço mais do que bacana nessa internet. A Revista Bacante, projeto do Fabrício Muriana e do Maurício Alcântara que está a pouco tempo no ar e francamente já deixou bem claro a que veio.

São matérias, entrevistas, resenhas e até um blog. Os textos são divertidos e mais do que isso, nada é simplesmente deduzido, a galera vai mesmo atrás da idéia. São ares novos nessa tal de teatrosfera, como explica lá o Nelson de Sá.

A matéria que me pescou explora o alternativo. É da Juliene Codognotto e da Leca Perrechil. Com muita informação e opiniões bacanas, elas destrincham os caminhos das pedras, ou com pedras, por onde vão os rótulos da mídia e o teatro brasileiro. Pra quem quer entender um pouco mais do que está acontecendo em cena em São Paulo, é um ótimo começo.

No entanto, o próprio Sérgio Roveri questiona essa áurea alternativa que ronda a região [Praça Roosevelt] e seus grupos. "Nos últimos anos, Os Satyros foram contemplados com vários prêmios de incentivo, excursionaram pelo Brasil e pela Europa, são referência na produção teatral da cidade e transformaram a Praça Roosevelt num pólo de produção cultural, onde as filas começam às 18h e não terminam antes da meia-noite. Então, como dizer que um grupo como eles é alternativo?"
Eu estive lá pelas bandas da Praça Roosevelt no sábado, assistindo um espetáculo no Espaço Parlapatões. Quero dizer: existe toda essa discussão sobre um teatro alternativo e a verdade é que aquele é um lugar que incendeia as idéias. E essa matéria só aumenta essa vontade de agir, de criar alguma coisa, aqui em Bauru mesmo. Por que não?

Existe muita gente por aí cheia de idéias. E existe muito espaço a ser preenchido. A gente volta de São Paulo e percebe como as coisas aqui no interior andam babacas. Gente interessada em cultura e em espetáculo, por aqui conheço um monte. Espetáculos e cultura, por aqui, quase não vejo nenhum.

E o Nelson de Sá voltou hoje a falar sobre a tal teatrosfera. Pediu umas dicas e colou por lá como ganhar pra trabalhar escrevendo e pensando sobre o teatro. Alternativo? O que importa mesmo é essa abundância de idéias e as grandes críticas que andam oferecendo por aí.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Cultura dá dinheiro

É um texto velho, já. Mas me peguei pensando várias vezes nisso desde que li pela primeira vez e vale o comentário. No começo do mês passado, Chris Smith, ex Ministro da Cultura do Reino Unido, esteve no Brasil.

um dos maiores responsáveis em transformar política cultural em prioridade de governo e grandes investidores
A matéria de Raul Lores destrincha alguns dos conceitos da gestão de Cris Smith e alguns deles chamam muita atenção.
Há empresas que preferem apostar apenas em nomes famosos, mas acho que, na hora de divulgar sua responsabilidade social, ela tem de mostrar onde o dinheiro foi investido. Se é uma empresa responsável, tem de se preocupar pelo tecido social do país, em ajudar quem tem dificuldades. Colocar dinheiro só no sucesso garantido não pega bem.

(...)

As empresas querem marketing, associar seu nome com propostas vanguardistas, glamourosas ou de alta qualidade.
Olha que bacana. É um conceito que tem muito a ver com nosso país. Veja bem, com as leis Rouanets e os incentivos privados circulando por aí, onde estão os resultados? Eu quero dizer, não basta trazer o Anish Kapoor ou investir milhões em um musical enlatado da Broadway, tem muita gente fazendo espetáculos incríveis aqui dentro mesmo.

É difícil ver algum espetáculo bom andando por aí com incentivo privado. A bem dizer, aqui no interior de São Paulo, por exemplo, a grande maioria de espetáculos sucesso de crítica e muitas vezes de público que aportam, vêm com o incentivo do PAC. Iniciativas de produtoras locais, com patrocínio de grandes empresas locais, tendem a trazer nomes consagrados, comédias rasgadas e o que mais seja garantia de público. E dinheiro.

O difícil é perceber se o problema está na maneira como o público encara a cultura ou como o país a encara. Eu voto no país. Digo, voto nas políticas que temos no Brasil e na distribuição de recursos das empresas privadas. É algo a ser repensado. E os resultados obtidos por Chris Smith mostram uma luz que brilha para todos no fim do túnel.
A vida cultural beneficia as cidades, elas têm os equipamentos e o clima que atraem as pessoas mais criativas. Quanto mais vibrante a vida cultural, mais ela atrai pessoas que querem morar e trabalhar lá, o que provoca um efeito positivo no mundo dos negócios. Os executivos querem vir a Londres a toda hora. E abrir escritórios lá. As famílias deles também querem morar em Londres.

(...)

Hoje, quando se pergunta a qualquer turista por que está visitando o Reino Unido, as respostas sempre giram em torno das indústrias criativas. O governo britânico ganha mais dinheiro com os impostos sobre as entradas de teatro do que investe no setor.
Percebe isso? O retorno ao investimento em cultura é tão interessante, que chega a ser maior do que o próprio investimento. No Reino Unido, Chris Smith conseguiu fazer com que todos os museus tivessem entrada gratuita. E quem acompanha o cenário, sabe que grandes nomes expõem suas obra lá, como Carsten Höller e seus tobogãs gigantes no Tate Modern.

Ele ainda é claro ao falar sobre o retorno mais do que financeiro que as cidades têm. Nossos exemplos não são assim tão escassos. São Paulo, Curitiba, entre outras cidades, são conhecidas pela sua vida cultural. O problema está em deixar as coisas concentradas nesses eixos. A cultura tem que atingir todo o país. Não é só uma questão de turismo. Antes de investir e ganhar dinheiro com cultura, é preciso entender que ela deve estar acessível a todos.

Essas são idéias muito bacanas. Se estão longe, perto, são difíceis ou fáceis em nosso país, não sei. Mas o caminho está pronto, basta querer e trabalhar pra isso. Um trabalho conjunto, as famosas parcerias privadas. E afinal de contas, cadê o Gil?

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Pra quem gosta da Camiseteria, eles estão com uma coleção nova. São todas estampas tipográficas, resultado do concurso Mixtape. E tem muita coisa bacana, como não podia deixar de ser. Como sempre, muito bom gosto e a vontade de sair torrando grana no site inteiro.


Olhos em Vivo En Mexico!, Bons Vícios e Avant Gardener. Além da lindíssima I Have A Child's Soul que ainda está por vir.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Só pra registrar que assistir Mobile Homme de perto é incrível. É algo tão simples e ao mesmo tempo tão encantador. Além da presença da galera da Fanfarra do Projeto Sete, de São José do Rio Preto, super ensaiada e com um figurino muito bacana, que deixou o espetáculo ainda mais fantástico.

Ah... se todas as cidades do interior tivessem a vida cultural que Rio Preto ganhou pras próximas semanas...

Mobile Homme é lindo. De deixar boqueaberto. Literalmente.

Olha que bacana. Quem perdeu os shows do Live Earth ou quer assistir de novo, pode fazer isso na web, on demand, no site do evento na msn.

Homens da mídia, tremei-vos.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Spectacle céleste

No Vale do Anhangabaú, hoje, a trupe Transe Express apresentou um móbile humano gigantesco. Era o espetáculo Mobile Homme. Lindo.

Pra quem ficou com vontade de assistir isso de perto, a trupe faz mais duas apresentações de Mobile Homme e a apresentação de Les Tambours no Festival Internacional de Teatro, em São José do Rio Preto, semana que vem. A programação completa do festival, que tem muita coisa bacana, está no site oficial.

Fotos aqui, aqui e no site da trupe. Lindo.

Raposa

Apenas um comentário rápido, mesmo porque eu não tenho canal pago. Na verdade, eu sequer assisto televisão. A não ser que algo muito interessante mesmo vá passar e eu acabe colocando lá no calendário. É, sempre o calendário. Quando não, eu procuro na internet o que perdi e ponho na lista de coisas a assistir. O que obviamente me leva a não assistí-las.

O burburinho da vez é a decisão da Fox brasileira de exibir toda sua programação dublada. O canal se baseou numa pesquisa na qual descobriu que a maioria de seus telespectadores preferiam assistir a programação sem legendas. Como não poderia deixar de ser, acabou criando revolta na outra parte de telespectadores, dentre os quais estão fãs fervorosos de séries como 24 Horas.

O que todo mundo sabe é que mundo afora todo mundo vai ao cinema e assisti televisão dublados. A cultura da legenda existe em poucas partes, como cá essas terras, onde dezenas de comunidades no Orkut desprezam a dublagem. É de se perguntar: O que a gente tanto quer com o som original?

É, veja bem, não é todo mundo que assisti a tudo sem ler as legendas. Se parar pra pensar, pouquíssimas pessoas fazem isso. Até as que sabem inglês, ou qualquer que seja a língua falada, na maioria das vezes acompanham o vídeo lendo as legendas. Não dá também para agradar a gregos e troianos. A própria Fox já disse estar negociando com as operadoras de TV a transmissão de sinais alternativos com som original e legenda.

Mas o que a gente quer, afinal de contas? Isso é querer conhecer a obra completa, é se envolver com ela como foi concebida? Ou é a nossa dublagem que anda muito ruim? É tudo o mesmo papo de estrangeirismos? Ou é puro costume?

Enfim... se a moda pega...

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Homer vai ao cinema

Os anos estão cada vez mais recheados de blockbuster. Já virou hábito começar cada um fazendo uma lista do que de bom há por vir. Esse ano não foi diferente, várias super produções já estrearam. Com o feriado de 4 de Julho, nos EUA, essa semana vários outros debutaram. Diferente dos outros anos somente o fato de nesse eu não ter assistido nenhum. Ou quase nenhum.

Lembra dos compromissos fazendo fade no calendário? Pois então, fico devendo um print screen pra próxima vez. Mas há um filme que anda chamando muito minha atenção: Os Simpsons. Por vários motivos: acompanho há anos essa família; o tema mais do que atual do filme; a curiosidade de ver um trabalho bem diferente de tudo o que conheço até hoje do formato seriado. E por aí vai.

Mas o que tem mesmo me chamado atenção é o marketing do filme. Vou citar três ações muito bacanas que saíram pela mídia nos últimos dias. Idéias muito interessantes e que ganharam grande força na internet. Vou começar com uma citação de Matt Groening, o criador da série, que saiu lá no Blue Bus.

Nos EUA há sempre alguém disposto a fingir que está ofendido com alguma coisa, nós incomodamos as pessoas e isso é parte do nosso apelo - entreter as pessoas e perturbar um segmento do publico ao mesmo tempo.
O contexto disso é uma cena de nudez de Bart Simpson no filme. Nudez mesmo, segundo a matéria. É a grande sacada, claro, há anos falando da família americana, o filme aparece agora provocando ainda mais. Pra não falar das questões ambientais que o filme aborda e se estender muito, a promessa é daqueles tapas na cara. Pena que no cinema ninguém sente isso.

Nessa semana também circulou pela internet um vídeo no YouTube, onde turistas filmaram uma rosquinha gigante pendurada na Estátua da Liberdade - como as do Homer. Mais um ponto pros Simpsons. YouTube, celular com vídeo, o faça você mesmo, está tudo aí. Uma sociedade que inevitavelmente se torna a da era da informação, não podia deixar de ser alvo. Aqui embaixo o vídeo pra matar a curiosidade.


E pra terminar. Você se lembra do Kwik-E-Marts? O mercadinho, mercado, supermercado, grocery store, sabe-se lá o quê do seriado? Pois então, a rede de lojas 7-Eleven customizou algumas de suas lojas pelos EUA e as transformou em Kwik-E-Marts. Com direito a produtos direto do seriado e tudo mais. Bacana. Um blog só sobre isso, aqui.

E pra terminar. Visite o site do filme. De tanta coisa, o que mais chama atenção é provavelmente criar seu avatar como um nativo de Springfield.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Holden Caulfield caught me

Sabe desses livros que você sempre quis ler, mas nunca chegou lá. Já quase comprou, mas não comprou. Já ouviu falar muito e, cada vez que ouviu, ficou cheio de vontade de ler de vez o tal livro e não leu? Pois é, se o texto não fosse tão grande, seria esse o nome da categoria na qual por muito tempo deixei listado O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger.

Presente de aniversário, demorei a conseguir tempo e espaço - na pilha de livros que estão ali ao lado - pra finalmente lê-lo. Foi numa tacada só (breves intervalos, claro, que os compromissos no meu calendário já estão até ganhando fade nas sobreposições). Ficaram duas perguntas: Por que demorei tanto a ler esse livro? E, se demorei tanto, por que me apareceu agora?

O Apanhador no Campo de Centeio conta a história de Holden Caulfield, um adolescente que acaba de ter sido expulso do colégio, o respeitado Pencey, onde foi reprovado em todas as matérias, com a exceção de Inglês (equivalente a nossa Português). São os últimos dias dele no colégio, antes de voltar para casa e encarar os pais.

Nunca li nada tão sincero sobre a adolescência. E o que me encanta ainda mais no livro é que ele não é feito de clichês. Cada pensamento, cada situação enfrentada por Holden Caulfield me trouxe de volta recordações de toda uma época que muitas vezes insisto em esquecer. Holden é a personificação de qualquer angústia individual que por muito tempo tive e que só agora reconheço como uma fase, ou mesmo como um rito de amadurecimento.

Salinger admitiu que sua história era, de certa forma, auto-biográfica e não poderia deixar de ser. Um relato tão verdadeiro só poderia ter sido escrito por alguém com boa memória de toda sua adolescência. E boa crítica. É guiados pela narração de Holden, que somos levados a repensar nosso passado. Possivelmente nos reencontrando encantadores aos olhos, naquela que pode ter sido uma das mais terríveis épocas.

Holden entra para a minha lista de personagens que quero muito viver no palco ou na tela. E O Apanhador no Campo de Centeio entra com certeza na minha lista de melhores livros, dividindo espaço com tantas outras histórias que de maneira sincera conseguiram me atingir.

Não vamos chamar isso propriamente de uma volta. Ok? Vamos pensar nisso tudo como uma vontade. E como toda vontade, aconteça o que acontecer, imaginemos que as leis desse tipo de coisa também se aplicam a essa volta.

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